Crise do petróleo atingiu o Brasil

Kiyoshi Harada
Kiyoshi Harada

A guerra Irã x EUA, que já perdura por 30 semanas, acarretou o fechamento do canal de Ormuz por onde passavam os petroleiros que abasteciam 20% de petróleo destinado a países do mundo.

Os EUA não conseguiram a adesão de outros países para reabrir o referido canal com o emprego de força militar.

Assim, não há perspectivas, a curto prazo, para normalizar o abastecimento de petróleo para os países importadores desse combustível.

O Irã está condicionando o cessar fogo ao reconhecimento da soberania de seu país sobre o estreito de Ormuz, o que é repelido pelos EUA.

O Brasil foi atingido por essa crise, por conta da pura incompetência governamental.

Com efeito, o Brasil é um dos grandes produtores de petróleo após a descoberta da camada do pré-sal.

Só que todo o petróleo produzido no pré-sal é exportado, porque não temos, ainda, uma refinaria capaz de processar o petróleo grosso oriundo do pré-sal.

A refinaria Abreu e Lima já consumiu o triplo do valor originalmente orçado e nada indica que um dia será concluída para operar com sua capacidade total. E nem está reprogramando sua adaptação para refinar petróleo grosso.

Ao longo desses anos todo o dinheiro público destinado àquela refinaria desapareceu no ralo da corrupção.

Sucessivos governantes nada fizeram para estancar a sangria dos cofres públicos. Pelo contrário, aceitaram o sumiço de verbas públicas como se fosse a coisa mais normal.

A corrupção está instalada no seio da sociedade, causando a descrença nas instituições e autoridades públicas. Quanto mais se fala em combate a corrupção, mais ela se agiganta por conta de medidas legislativas que plantam as sementes de ervas daninhas que invadem o Tesouro.

Dentro desse cenário, em que o preço do petróleo está pressionando a escalada de preços alimentando a inflação, o governo resolveu subsidiar o preço da gasolina afirmando que isso é de interesse da Petrobrás.

A nosso ver é medida populista neste ano eleitoral.

Se fosse o caso, o governo deveria subsidiar o preço do diesel que movimenta a frota de caminhões destinada ao transporte de cargas e de alimentos que abastecem os grandes centros consumidores.

Gasolina só serve para mover a frota de automóveis que já se tornou a maior do planeta, infernizando o trânsito nas metrópoles.

É verdade que no passado dizia-se que quando sobe o preço da gasolina até a tarifa de trem movido a lenha aumenta.

Contudo, hoje, a realidade é outra.

Entre subsidiar a gasolina ou o diesel, a escolha lógica e racional deveria recair sobre o diesel que concorre para o abastecimento regular dos grandes centros consumidores, e assim contribui para evitar a escalada inflacionária.

Mas, infelizmente, a simplicidade e racionalidade são palavras proscritas no âmbito dos três poderes da República. Por que facilitar se podemos complicar tudo?

SP, 25-5-2026.

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